A incógnita da internet no jogo político-eleitoral
Postado por Carlos Castilho em
7/2/2010 às 20:19:41
Há um consenso entre os que estudam a internet de que ela terá uma grande influência na definição dos novos centros de poder que estão surgindo na sociedade contemporânea. Mas o que ninguém sabe é como este processo vai se desenrolar, quando os seus resultados aparecerão e de que forma.
Os processos eleitorais configuram momentos em que as pessoas tomam decisões que vão moldar o cenário político e por conseqüência uma nova geografia do poder no país ou na região. Como a internet já faz parte do contexto social contemporâneo, ela começa a provocar reações desencontradas tanto entre os conservadores como entre os liberais.
As pessoas tomam decisões a partir de mensagens captadas pelo sistema cognitivo individual que por sua vez está condicionado a contextos específicos, dando origem a percepções diferenciadas. As mensagens são transmitidas e recebidas dentro do processo da comunicação, transportadas pelos chamados meios de comunicação (jornal, radio, TV, internet, cinema, livros, publicidade, propaganda etc.).
A internet é um meio de comunicação que opera no contexto de redes sociais formadas por usuários que interagem de forma horizontal e descentralizada. Estas características levaram o sociólogo espanhol Manual Castells a afirmar que “numa sociedade em rede, a política é essencialmente a política da mídia”[1], ou seja ela é determinada pela política dos meios de comunicação.
É esta característica que está deixando os conservadores nervosos e beligerantes enquanto os liberais mostram-se perplexos e desorientados. A internet quebrou o controle quase absoluto que os conservadores tinham sobre os meios de comunicação e isto os está assustando muito. A multiplicação vertiginosa dos weblogs, a disseminação viral dos twitters e o crescimento constante das redes como Facebook , os colocam diante de situações não previstas e incontroláveis.
O controle da comunicação sempre foi junto com a força militar o binômio responsável pela hegemonia de um segmento social cujo poder é financiado pela acumulação de riquezas. Como os conservadores estão perdendo o controle da comunicação isto os está obrigando a rever o seu modelo de poder político. A recente crise no sistema financeiro mundial é um sintoma deste ajuste, que até agora ninguém sabe como vai terminar.
Por seu lado, os liberais, ainda não chegaram a um consenso sobre o modelo econômico que viabilizará os negócios digitais, a longo prazo. A ausência deste modelo fragiliza os seus questionamentos políticos porque mantém a dependência dos internautas em relação à economia convencional.
Politicamente, a geração internet mostra-se refratária às práticas e valores tradicionais tendendo ao nihilismo eleitoral. Mas esta atitude, embora rotulada como apolítica, é na verdade profundamente política, porque aponta para o surgimento de um contra-poder alimentado pela comunicação horizontal e descentralizada dentro da internet.
Os dilemas e incertezas dos que desconfiam da internet são claramente visíveis na imprensa brasileira, que se mostra integrada ao sistema de poder político hegemônico no país, sem dar-se conta de que existe um contra-poder em gestação, cujo perfil é totalmente distinto daquele que caracterizou a esquerda.
A cobertura das eleições presidenciais deste ano faz parte deste contexto midiático e tende a fortalecer a idéia de que só existe um poder político, o que é uma ficção. Existe um poder hegemônico, mas a internet está criando outro que funciona segundo regras próprias e que em sua maioria ainda não foram suficientemente materializadas. A única coisa que se sabe é que ele provavelmente será fragmentado e descentralizado.
[1]Mais detalhes no recém lançado livro Communication Power, na página 8.
Se voce der uma olhada nas paginas de recados dos sites,vai ver que tem gente já fazendo politica de baixo nivel na internet.Bom espero que não baixe muito o nivel,por que a politica como é feita hoje já é modelo falido,que se baseia em muito dinheiro jogado fora com intermediarios e marqueteiros.A imorensa deveria cobrar um novo modelo e denuciar essa gente joga sujo.
Diogo Dapper, Aux. Adm.
(Montenegro/RS)
Enviado em 8/2/2010 às 17:39:45
Por ser fragmentada e descentralizada, na política, acredito que a internet infelizmente não terá força, pelo menos por enquanto. Logo não sairemos da "direita e da esquerda". Ainda mais no Brasil, achamos que somos uma sociedade em rede, e nos esquecemos das milhares de pessoas que não usam a internet e nem sabem o que é globalização.
Empreendedorismo jornalístico atrai a atenção de universidades e profissionais desempregados no mundo inteiro
Postado por Carlos Castilho em
1/2/2010 às 23:36:06
Pelo menos duas grandes iniciativas surgidas nos Estados Unidos nos últimos cinco meses colocaram na ordem do dia uma questão que tira o sono de quase 25 mil jornalistas desempregados nos últimos 10 anos em conseqüência da crise na imprensa norte-americana.
É o chamado empreendedorismo jornalístico onde profissionais altamente qualificados, mas sem trabalho, decidem criar o seu próprio sustento usando a internet como plataforma. Este é o público que as universidades do Sul da Califórnia e a Municipal de Nova Iorque pretendem atingir ao lançar dois projetos com o objetivo de discutir a criação de empresas jornalísticas na Web.
A Universidade do Sul de Califórnia (USC) anunciou para maio próximo a realização de um curso intensivo para a capacitação de jornalistas interessados em montar seu próprio negócio. Em Nova Iorque, a CUNY (City University of New York) criou um curso regular de empreendedorismo jornalístico e está promovendo a formação de uma rede acadêmica mundial para troca de experiências nesta área.
A primeira reunião virtual da rede, realizada agora em janeiro,contou com a participação de 12 grandes universidades norte-americanas e mais duas faculdades da Inglaterra, uma do México, Noruega e Alemanha. O grupo criou uma página wiki onde é possível acompanhar a troca de idéias.
A relevância adquirida pelo tema desde meados do ano passado acontece paralelamente ao agravamento das dúvidas e incertezas sobre o futuro da imprensa convencional, especialmente a questão da cobrança ou não de acesso à notícias publicadas na internet.
É um área onde a realidade está atropelando os jornalistas pois o enxugamento das redações está acontecendo a um ritmo muito mais rápido do que a descoberta de novos nichos de atividade remunerada para os profissionais desempregados e recém formados.
Mais do que isto. É um setor onde a perplexidade é generalizada porque a ausência de modelos é total. Está tudo por fazer, o que coloca as universidades numa posição privilegiada, porque elas é que podem promover a pesquisa e o intercâmbio de experiências necessárias para encontrar alternativas.
Se a grande imprensa ainda procura um novo modelo de negócios, os profissionais autônomos têm pela frente uma tarefa não menos complicada, que é a de descobrir como obter receitas a partir do jornalismo praticado na Web.
Quase todos os estudos e hipóteses apontam no sentido de que não haverá uma solução única e sim várias possibilidades, dependendo do contexto onde está inserido o profissional independente.
Mas uma coisa é considerada certa: O jornalista deverá estar vinculado a uma ou mais redes na internet para poder desenvolver o seu trabalho, ter contatos e recorrer à ajuda especializada, em questões como finanças pessoais, apoio jurídico, promoção pessoal e atualização profissional.
Outra hipótese tida como muito provável é a de que cada jornalista deverá, durante algum tempo, ter um pé no mundo digital e outro no mundo analógico porque o retorno financeiro de páginas informativas na Web tende a serlento e pouco significativo, no começo. Portanto, haja paciência e persistência.
Em compensação, a internet oferece possibilidades imensasde exploração de nichos informativos especializados, notadamente no jornalismo local e hiperlocal , jornalismo investigativo com participação do público e informação altamente especializada. Os jornalistas deverão cultivar as suas próprias redes de leitores, que eventualmente poderão também funcionar como financiadores do profissional.
O repórter Cristopher Albritton cobriu o início da invasão norte-americana no Iraque a partir de contribuições de leitores do seu blog. Mais recentemente o projeto Spot.us passou a reunir jornalistas free lancers para produzir reportagens também financiadas por recursos do público.
Este tipo de financiamento direto deverá ser uma das opções financeiras dos jornalistas profissionais na Web. O Spot.us ainda não é considerado uma experiência consagrada, mas há pelo menos três pesquisadores da comunicação na Web estudando o projeto para extrair lições de seus erros e acertos.
Oi Ibsen, acho que temos mais problemas ainda, nós demos uma idéia, como cidadãos, mas ao que parece, isso não existe no mundo real. Idéias não servem, precisamos de projetos, é o fim da picada. Imagine vc, como eu, que não sei diferenciar uma tomada de um benjamim, possa apresentar um projeto desse tamanho! E mesmo vcs, que podem, seria justo? Tá sentado? Mesmo os "nossos", acreditam que queremos " algo mais" com uma idéia. Sabe o grupo que apresentou o projeto original? Pois bem, foram acusados de tudo o que vc pode imaginar ( sempre no sentido de arrumar algum dinehiro com a coisa). Não estou desistindo não, já pedi uma reunião aqui, e vamos tocar pra frente. Só estou querendo " publicar" que pessoas, como nós, cidadãos, antes de tudo, não existem para o mundo, a gente vai estar sempre querendo " alguma coisa" e essa " alguma coisa" vai ser sempre aquela da qual a gente sempre fugiu para garantir o status de cidadão comum. Estou aguradando duas respostas e vcs tem razão, a idéia é viável mesmo. Tô chocada. Ah, nem me lembrei do mais importante, o que vc falou sobre a grade, confere mesmo, não sei qto a pausar ou não, mas acho que nem precisaríamos ir tão longe, bastava um espaço numa rede pública, num determinado horário e o conteúdo selecionado/editado pelos jornalistas da rede mesmo. Vamos tocando...
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 5/2/2010 às 17:57:31
Cristiana, estava lendo o artigo sobre banda larga na página inicial do
OI e me dei conta de que, para viabilizarmos sua idéia, enfrentaremos
o problema da rigidez da grade de programação, já que a TV não
permite muita interatividade. Isso significa que não levaríamos
alguns dos novos benefícios da web que é a escolha da programação
qyue se quer assistir e a ordem em que ela deve acontecer. Se houver
necessidade de pausar o programa também teremos outra dificuldade.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 5/2/2010 às 16:29:55
É, parece que um jornal na rede seguiria os moldes anteriores, masi ou menos como a TV na rede. Sua proposta parece mais completa, pois além do acesso via rede você poderia vê-lo também na TV, atingindo maior numero de pessoas, incluindo aquelas que não têm computador. Agora, é preciso apresentá-lo a quem não teme a livre circulação de idéias e informações e, além disso sinta-se beneficiado pela proposta. Deputados . . .
Cristiana Castro, Advogada
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 5/2/2010 às 13:03:13
É, eu não pensei nisso, pensei nos custos, que parecem ser algo além da minha imaginação. De qq forma, já falei com um monte de gente, e ontem, uma publicitária me disse que um grupo já tem até o projeto de um jornal na Rede ( a idéia original ), apresentaram o projeto para algunsdeputados estaduais daqui do RJ mas, parece que eles não se interessarm, hoje é que vou saber melhor o que, de fato, ocorreu. De qq forma, não estamos e vale a pena continuar tentando. Mesmo que o um jornal da rede, se estabeleça, antes, já é um passo. Nossa, como isso é confuso, não admira, não ter uma legislação decente.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 5/2/2010 às 12:18:54
Cristiana, José Albino, Castilho, eu não sei exatamente como se daria
a utilização das estruturas de uma TV Pública e que implicações ela
teria na desejada independência jornalística, mas acho que
tecnicamente seria possível sim. Seria ideal o envolvimento de
pessoas técnicas das áreas específicas de TV, Internet e Jornalismo
para tentarmos a elaboração de um esqueleto mais factível. Um
brainstorm de idéias seria muito interessante. Gostaria que o
Castilho utilizasse sua larga experiência como jornalista para
levantar os pontos fracos e as prováveis dificuldades de um projeto
desse tipo. Quanto à TV Pública, me ocorreu que algumas
universidades possuem Canal de TV local e essa poderia ser uma boa
porta de entrada. Caramba gente acho que essa idéia pode
revolucionar o jornalismo na TV. Só uma observação fora do
assunto. Quando o OI mudou de provedor, havia uma conversa de
reconhecimento do usuário por IP. Eu tinha sugerido que os
comentadores deveriam possuir um login e senha para que não
precisassem ficar digitando seus dados a cada comentário. Parece
que o assunto morreu e está tudo mais ou menos igual. às vezes eu
deixo de comentar por conta disso. É muito chato, vira e mexe eu
envio o comentário e esqueço da identificação ou ela fica incompleta.
Cristiana Castro, Advogada
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 4/2/2010 às 22:42:37
José Albino, Ibsen e Castilho, a idéia não é minha, vi lá no PHA, só achei que dava para fazer o caminho inverso e, se dá, a gente tem que tentar. Pra mim isso tudo é grego, eu não entendo nem as explicações. Vou fazer uma pergunta ( deve ser idiota, tenham paciência). Poderia ser utilizada uma estrutura já estabelecida, ou seja, uma parte da programação de uma TV pública, ou tem que começar do zero pq é tudo diferente? É muito ruim não conhecer nada a respeito de uma coisa que domina a nossas vidas. Se pudéssemos levar a web para a TV, o conteudo da TV melhoraria e ao mesmo tempo, os anunciantes ficariam ( eu juro que nem tinha pensado nisso ). Castilho, isso dá pra ser? É mega democrático e acaba com esse salseiro todo. O percentual ( porcentual, eu não sei qual é o certo ) de pessoas conectadas, ainda é pequeno, daí que esperarmos até todo mundo chegar aqui é demorado e o custo é muito elevado. Se 95% dos domícilios brasileiros têm televisão, o mais razoável é que nós cheguemos a eles. José Albino e Ibsen, independente de resultados, esse foi um dos momentos mais bacanas que eu tive na rede, é a constatação de que vários conhecimentos e/ou percepções podem produzir efeitos que buscamos durante anos, em poucas horas. De novo, quem está de parabéns é o OI.
José Albino, Engo.
(São Paulo/SP)
Enviado em 4/2/2010 às 11:40:27
Caros Castilho, Ibsen Pinheiro e Cristiana Castro, vocês atiçaram minha vontade/preguiça de escrever hoje! Vamos lá. Eu escrevi dias atrás ao Luiz Egypto com sugestões de transformar o OI em podcast ( ou webcast, ou coisa que o valha). Em outras palavras, seria uma rede de informações e textos/aúdio totalmente aberta na web. Mas minha idéia aplica-se a qualquer iniciativa do gênero, não somente ao OI. Creio que as distâncias mencionadas pelo Ibsen poderiam em breve ser diminuídas pela produção de áudio e vídeo com recursos “quase caseiros”, confome se observa, por exemplo, nas redes locais de TVs de diversas cidades do interior do Brasil. Alguém poderia dizer que se tornaria muito amador, mas muitas TVs locais tem aparência amadora mesmo, pois o que se prioriza é o conteúdo. Anunciantes locais é o que não vai faltar, como acontece nas TVs do interior, muitas contando até com slides de propaganda ( não dinâmicos) e com áudio do produto anunciado. O que quero dizer é que recursos não vão faltar, desde que seja feito um plano de venda de espaço publicitário. A propósito, Cristiana, tenho lido e acompanhado suas excelentes intervenções e comentários aqui no OI. Parabéns. Vamos acirrar os debates sobre as redes. Parabéns, Castilho.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 4/2/2010 às 10:33:44
Mais, como o material, além de estar disponível na Web, estaria sendo transmitida na TV, isso poderia funcionar como um atrativo para patrocinadores e anunciantes. Como muitos desses ótimos jornalistas são professores, eles poderiam se utilizar dos serviços de incubadora oferecido por muitas grandes Universidades. Olha, achei sua idéia genial, criaria novas perspectivas para a carreira de jornalismo, bem aos moldes da proposta do Castilho, em que o comentador é parte da produção jornalística.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 4/2/2010 às 10:29:15
Cristiana, estou meio afastado das novas tecnologias WEB, porque saí do mercado de informática há uns dois anos mais ou menos. Nessa área é muito tempo. Se entendi, sua intenção seria fazer o oposto do que fazem as TV´s, isto é, elas trazem para a rede sua programação televisiva. Sua proposta seria o caminho inverso, certo? Bom, em primeiro lugar, acho que seria obrigatório um centro físico de transmissão e repetidores ou canal de satélite para levá-la aos quatro cantos do país. Além disso, teria que ser estudada uma forma de estruturação e edição de programas e de programação, principalmente porque a maioria dos participantes estariam fisicamente distantes uns dos outros. Hoje temos um monte de rádios comunitárias e piratas onde a programação é quase que totalmente gerida por computadores, onde as músicas e anúncios já estão previamente gravados. Não vejo porque isso não possa ser feito com a programação televisiva. Programas editados e programação pronta, seria só deixar o computador conectado aos transmissores e pronto. Acho que mesmo a edição não precisaria necessariamente estar centralizada. Poderia ser um trabalho dividido e depois cada parte enviada para uma central. Resumindo, não sei exatamente como fazer, mas tenho certeza de que é possível!! Espero que algum comentador, ou o próprio Castilho aprofundem essa discussão. Achei a idéia muito interessante e factível.
Luciano Prado, advogado
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 3/2/2010 às 20:14:12
Castilho sempre traz excelentes textos com vistas a novos paradigmas em relação a imprensa. Entretanto, sinto falta nos seus textos de abordagens que diga respeito à principal ferramenta do jornalista para conquistar o leitor: o fato, a verdade. Nenhuma nova fórmula fará sucesso junto ao leitor se antes os princípios que regem o jornalismo não forem respeitados. A queda acentuada da venda de jornais se deve, em grande medida, a falta de credibilidade, a ausência de compromisso com os fatos e com a verdade.
Cristiana Castro, Advogada
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 3/2/2010 às 16:24:51
Ibsen, eu não entendo nada disso. Um comentarista do PHA, propôs a criação da TV Fiada, via youtube, isso é possível? Em sendo viável e,levando-se em conta a quantidade de jornalistas, de primeira linha que a rede abriga, o caminho inverso seria possível, ou seja um canal de TV da rede? Se tiver embolado, eu tento explicar melhor. Em síntese é o seguinte, é viável, levar a rede para TV? Não no sentido de usar a tela como monitor mas um canal da web.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 3/2/2010 às 12:04:28
Em se tratando de contribuição de usuários e leitores, meu feeling diz
que o Brasil não tem um histórico muito animador. Nós vivemos sob
intensas denúncia de malversação do dinheiro público e isso acaba
contaminando o cidadão que vive em estado de ceticismo quanto à
boa aplicação de suas contribuições. Os desenvolvedores de
software livre sempre incentivam as doações em suas páginas, mas
não acredito que nós brasileiros estejamos atentos à importância
dessas doações para dar continuidade e auxiliar o aprimoramento
dessas aplicações. Temo que o mesmo ocorra com o jornalismo na
Net.
Projeto Katine mostra que é possível um jornalismo diferente
Postado por Carlos Castilho em
29/1/2010 às 19:59:09
Entrou em seu terceiro e último ano de existência um projeto informativo lançado pelo jornal inglês The Guardian cujo ambicioso objetivo é cobrir o dia-a-dia de uma aldeia do interior de Uganda, na África, no seu esforço para superar os efeitos de 20 anos de guerra civil, fome, seca e corrupção.
Ao completar dois anos, o projeto Katinesurpreendeu até os mais céticos editores do Guardian que não acreditavam na possibilidade de resultados jornalísticos concretos neste esforço humanitário patrocinado também pelo Barclay’s Bank, pela organização não governamental African Medical and Research Foundation (AMREF), criada há 50 anos por três médicos africanos e que hoje presta serviços em seis países; e pela Farm África, voltada para a assistência rural.
Os quatro parceiros do projeto juntaram o equivalente a 7,4 milhões de reais, metade dos quais fornecidos pelo Barclay’,s, um dos maiores bancos ingleses, e o resto recolhido pelo jornal numa campanha de donativos entre seus leitores.
O editor-chefe do Guardian, Alan Rusbridger, assumiu pessoalmentea coordenação editorial do projeto desde o seu lançamento, em 2007, com dois objetivos em vista: despertar, entre os leitores ingleses, o interesse pela luta contra a miséria em Uganda; e formar, em Katine, um núcleo de jornalistas locais capaz de produzir um jornal e um programa de rádio, além de escrever matérias para o exterior.
O dia-a-dia da aldeia foi documentado pelo jornal usando inicialmente mais material produzido por enviados especiais e por free lancers africanos, mas desde o início de 2009 repórteres formados localmente (foto ao lado) começaram a produzir reportagens e programas radiofônicos. Tudo isto está no site do projeto, em relatórios mensais, ano após ano.
O que chama a atenção no projeto Katine é o fato de um grande jornal de um país rico ter decidido apostar num tipo de jornalismo que até agora era visto como militante, ativista, engajado e vários outros adjetivos. Cobrir o esforço de uma aldeia longínqua para sair da miséria é um tema que dificilmente entra na agenda da grande imprensa mundial.
O The Guardian não é um jornal de esquerda e nem os seus editores são militantes socialistas ou ativistas de causas terceiro-mundistas. É no máximo liberal e sua versão dominical, The Observer, é tida pelos ingleses como mais conservadora do que as edições dos dias úteis.
A experiência africana do jornal inglês não vai gerar resultados espetaculares porque a miséria em Uganda é muito mais complexa. Mas uma coisa o projeto já provou: é possível fugir da agenda convencional da imprensa e buscar temas novos, despertando a atenção mesmo de leitores europeus pouco interessados na África.
O Haiti oferece agora uma oportunidade parecida para a grande imprensa brasileira mostrar que é possível diversificar a nossa agenda informativa monopolizada pela política partidária e eleitoral, obcecada com a luta pelo poder e também pelos escândalos, violência e tragédias.
A cobertura do esforço de recuperação do Haiti pode ser um tema de interesse para brasileiros depois de todo o nosso envolvimento com missões de paz e ajuda humanitária. Nós não vamos salvar o Haiti, mas podemos pelo menos ensinar algo de jornalismo a eles e tornar menos maçante e repetitivo o menu informativo dos nossos jornalões.
Longe mim qualquer coisa tipo: pra que ajudar o Haiti se a miséria está aqui ao lado. Mas um post no site do Nassif sobre o que acontece em Berlford Roxo (RJ) mostra que nossos jornalistas não precisam sair do País, nem do rico Sudeste, para fazer um trabalho semelhante.
Simone Ramos, Estudante de jornalismo
(Pelotas/RS)
Enviado em 2/2/2010 às 00:26:13
Uganda merece essa e muitas outras alternativas, pois é uma região, dentre muitas da África, que necessita de incentivo para dar voz e vez aos que não a tem. Problemas, críticas, dificuldades, interesses, sempre vão existir, no entanto, algo de concreto está sendo feito.
JONATHAS FORTES, radialista
(Divino/MG)
Enviado em 1/2/2010 às 13:31:09
Gostei do grifo em "...É POSSÍVEL DIVERSIFICAR A NOSSA AGENDA INFORMATIVA MONOPOLIZADA...". No interior do Brasil há uma falta de criatividade em jornal impresso que espanta. Um exemplo é o político ser mais importante do que o asilo ao qual doou a verba (www.oimpacto.net). Sempre a mesma linha: bajulação, espetáculo policial, foto de adolescente e temas de desinteresse público. Os jornalistas responsáveis só emprestam a DRT, e deixam pra uns ´porcarias´ a missão de ´cobrir´ a cidade. Parabéns pelo artigo. "É POSSÍVEL FUGIR DA AGENDA CONVENCIONAL". Vamos trabalhar, cambada!
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 1/2/2010 às 11:30:52
Luiz Alberto, concordo que Chavez não deveria ter fechado a RCTV,
pois isso é autoritário, mas acho que de alguma forma ela deveria ter
sido fechada, por um processo democrático que analisasse o desvio
de função que essa rede exerceu, quando apoiou aquele golpe contra
o presidente constitucional da Venezuela à época, no caso, Hugo
Chavez. Todos sabemos que os meios de comunicação são
concessões públicas e que, junto à liberdade de imprensa há também
seu compromisso com a sociedade que lhe dá função e existência.
Infelizmente para a RCTV, diferentemente do que aconteceu por aqui
em 64, o Chavez conseguiu retomar o poder e, autoritário que é,
dirige hoje sua sanha aos inimigos. Como deveria ocorrer no Brasil, a
mídia na Venezuela deveria pensar antes de agir e medir as
consequências de seus futuros atos. A lei da física (ação e reação) é
implacável e, ao contrário de Chavez e da mídia, muito democrática,
atinge a todos sem se importar com posições sociais, econômicas e
políticas. Aliás, xenófoba é a direita, xenófoba e delirante, por desferir
em 64 um golpe contra um possível golpe de comunistas, muitos
imaginários e que sequer foi orquestrado (ler nesse OI: do golpe à
redemocratização, por Luiz Cláudio Cunha)
Cristiana Castro, Advogada
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 1/2/2010 às 03:16:55
Luiz Alberto, eu sou, "minimamente esclarecida" e sou, completamente a favor da interrupção das transmissões da RCTV ( as outras, entram aqui como Pilatos no Credo ). De qq forma, não se assuste com o resultado da enquete; como em qq outra, podemos votar mais de uma vez, eu mesma já fiz isso várias vezes, e em várias outras enquetes. Só tô dizendo isso pq aqui é o OI, se fosse outro site, ficava na minha, mas é que depois vão dizer que é estratégia virtual chavista para forjar um quadro de legitimidade na rede.
luiz alberto duarte, economista
(s. paulo/SP)
Enviado em 31/1/2010 às 19:10:44
penso que o blog estão sendo monitorados por xenofobos de esquerda.
Não creio ser possivel a qualquer individuo minimamente escalrecido dar parecer favoravel ao fechamento pelo Hugo Stalinzinho, de meios de comunicação pelo fato dos mesmos não atenderem a seus desmandos ditatoriais.
Rodrigo Gomes da Paixão, estudante de jornalismo
(GOIANIA/GO)
Enviado em 31/1/2010 às 02:33:18
Acho muito difícil (mas não impossível) um projeto desse naipe na mídia brasileira. O que acontece é que a mídia brasileira é mais do que corportivista - ela é oligopolizada. Daí a razão de ser "monopolizada pela política partidária e eleitoral, obcecada com a luta pelo poder e também pelos escândalos, violência e tragédias." Assim sendo, qualquer tentativa de melhorar o país e, portanto, acabar com o "coronelismo difital" o qual disse o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares sobre as relações escusas da família Sarney com a mídia, é rechaçada. Mas espero, ao contrário, que iniciativas como o OI se multipliquem Brasil a fora.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 30/1/2010 às 18:33:09
Me empolguei, esqueci de dizer que a razão de ser é da imprensa. E discordo um tanto do Castilho, porque acho que aquele projeto na África melhora a vida das pessoas, porque resgata muito da cidadania. Pode não transformar as coisas de forma imediata, num relâmpago, mas nada duradouro acontece assim. É preciso o trabalho de formiguinha e é assim que começa. Creio que agora já não se pode dizer que essas pessoas não são ativistas!!
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(açapava/SP)
Enviado em 30/1/2010 às 18:29:56
A questão é a seguinte. A razão de ser não é informar por informar. Ela tem uma função maior, assim como tudo: ensino, saúde etc. A função é melhorar a vida das pessoas. Se isso vai se dar investindo nesses projetos de jornalismo alternativos, ótimo. O importante é que a imprensa brasileira resgate essa sua função primordial e deixe desses embates do poder pelo poder.
Sensacionalismos à parte, é bom quando mesmo com interresses outros, que não os no bre colega citou, tenhamos uma imprensa que cumpra sua razão maoir de ser: o bem para humanidade, porque ao contrário do que pensa o ministro, não tem o mesmo valor que um simples cozinhar.
Cristiana Castro, Advogada
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 30/1/2010 às 15:58:01
E um OI impresso?
Welington de Oliveira Ferreira, Radialista (estudandte Jornalismo)
(Carangola/MG)
Enviado em 30/1/2010 às 13:27:29
é realmente um novo rumo para o jornalismo esse tipo de edição, tendo em vista os jornalões que vemdem politica, tragédia e fofoca de famosos. Eles conseguindo vender esse jornal abre várias portas, janelas clarabóias, furos, buracos etc para diferentes noticias, as noticias boas que muitos reclamao nao ter no jornais.
as ediçoes para circular dentro do proprio pais vão esbarrar na miseria, miséria cultural...
* Ex-redator internacional - JB * Ex-editor internacional - Opinião * Ex-editor telejornais - TV Globo * Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres * Ex-redator - Cadernos do Terceiro do Terceiro Mundo; * Ex-correspondente latino americano do jornal Público/Lisboa * Ex-editor internacional do JB; * Ex-editor associado do The World Paper/ Boston; * Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica; * Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia; * Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis); * Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis; * Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; * Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005. * Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas. * Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. -Reside em Florianópolis / SC email ccastilho@gmail.com
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